Meu Novo Cotidiano

Em eterna metamorfose, jornalista, professora de inglês e série-maníaca à procura de seu lugar no mundo. Por ora, aqui, me preparando para o maior desafio de todos: ser mãe!

terça-feira, maio 12, 2009

Meu mais do que novo cotidiano

É realmente bem difícil achar tempo - e espírito- para escrever qualquer coisa minimamente elaborada. Ser mãe, antes de mais nada, te consome por inteiro. É um mergulho sem volta em uma vida em que a prioridade deixa de ser você. Ponto final.

Confesso que essa doação incondicional, essa entrega, esse desapego de mim mesma, me pertubaram profundamente de início. Sempre fui EU e agora somos nós. Para a vida inteira. Mas pouco a pouco nosso espírito fica em paz, como se finalmente tivesse encontrado seu lugar no mundo. Amor de verdade, sem esperar absolutamente NADA em troca. Você só sente isso ao ter um filho! É a mais pura expressão de amor no mais absoluto caos!

Esse é o lado emocional. Na prática, com um filho de dois meses, minha vida se mistura com a dele de tal forma que já não sei onde uma começa e a outra termina. Meus dias não têm mais 24 horas - e sim ciclos de 3 em 3 horas, onde as ações se repetem continuamente: mamar, arrotar, trocar fralda, brincar, colocar pra dormir ( torcer para conseguir), mamar de novo....

Num dia muito, muito feliz, ele dorme até as 5 da manhã direto e eu acordo a pessoa mais animada do mundo. Dormir uma noite inteira é um sonho distante, dormir por 5, 6 horas é uma meta, um objetivo a se alcançado em breve! As diversas tonalidades de cocô, as nuances do chorinho, os minutos mamando, os cochilos que acabam antes da hora. Tudo isso é assunto de alta prioridade na minha agenda. E cada nova etapa : acompanhar os movimentos com os olhos, colocar a mãe na boca, sorrir, levantar o pescoço, é motivo de celebração. O foco muda! Tudo muda! E eu, será que ainda sou eu?

Eu jamais serei a mesma. Sou a mãe do Gael, mudei pra melhor!!

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terça-feira, novembro 11, 2008

Os bebês não são todos iguais

* Primeiro exercício da Oficina de Crônica

Fabiana Marques Cáceres

Eram dez horas da noite quando o trabalho de parto começou. A mãe estava tranqüila, serena, com a segurança de que faz isso pela terceira vez. O pai, ao contrário, parecia bem mais ansioso, para ele é como sempre fosse a primeira vez. Impotente e mero expectador.
Dr. Agash, o simpático médico de origem indiana, acompanhou tudo de perto, mas praticamente não precisou interferir em nada, já que o parto aconteceu sem qualquer tipo de complicação. Quando o bebê finalmente apareceu, cerca de seis horas depois, o silêncio tomou conta da sala de parto. O bebê, um menino grande e forte, não chorava por conta própria e a equipe médica precisou levá-lo. Dali alguns segundos os pais ouviram seu choro e emocionados puderam relaxar. No entanto, Dr. Agash, não estava tranqüilo. Trinta anos de experiência lhe diziam que havia algo errado com a criança. O tamanho um pouco desproporcional dos órgãos sexuais e a implantação levemente mais baixa das orelhas indicavam um espécie rara de síndrome, mas antes de dizer qualquer coisa aos pais, preferiu fazer o teste. Não viu sentido em preocupá-los antes da hora, podia ser um engano, embora duvidasse disso.
O bebê voltou aos braços da mãe, agora já limpo. Chamaram-no Jonathan. Ao colocar seu corpinho quente próximo de si, a mãe suspirou, enquanto esquadrinhava o filho em busca de sinais de normalidade. Pareceu sentir que havia algo diferente e buscou o marido com o olhar. Este apenas sorriiu, feliz com o nascimento de um filho homem.
Duas horas depois, Dr. Agash voltou ao quarto, com um ar triste, diferente do brilho empolgado que exibia normalmente. A mãe, novamente, pressentiu. Não havia uma forma melhor de dar a notícia, portanto ele preferiu ser direto. O filho sofria de uma síndrome raríssima, chama de Síndrome de Beckwith. Não poderia se alimentar sozinho, precisaria de cuidados extras, provavelmente seu desenvolvimento motor seria insuficiente e havia uma pequena possibilidade de um leve retardo mental.


Sem ar, o pai buscou a janela. Seus soluços foram ouvidos desde o corredor. A mãe, resignada, chorou em silêncio e apenas pediu para ver o filho. As enfermeiras o trouxeram e ensinaram aos pais como alimentá-lo, através de um tubo, já que ele não tinha forças para sugar o peito da mãe. Era bonito, mas não se podia negar que possuía um ar estranho, distante. Pouco a pouco os pais começaram a brincar com o menino, enchendo-lhe de beijos e carinhos, falando-lhe com ternura. Era seu filho, fosse como fosse, o amavam de forma incondicional e um pouco doentia, como só os pais sabem amar.
No dia seguinte, foram embora do hospital. O médico abraçou-os, sempre nutria um carinho especial por famílias assim. Achou o bebê mais bonito, menos estranho. Teve certeza que teria o melhor desenvolvimento possível. Observou-os partir. Mãe, pai, dois filhos mais novos e um bebê. Uma família normal, feliz com a chegada de um novo membro. Sabiam que teriam uma batalha pela frente, lutariam contra o desconhecido. Mas não sofriam nem se lamentavam. Sabiam que seria diferente, mas a mãe pensou : “os bebês não são todos iguais”.

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